Quanto os pais vão gastar com esse bebê até a pós graduação

Já não se cria um filho como antigamente. A emoção, claro, é a mesma desde sempre. As preocupações, contudo, hoje são bem diversas. Entre todas as inseguranças dos pais em relação aos pequenos, uma delas ganhou lugar de destaque: os gastos com educação. Há poucos anos, a escola nem mesmo entrava na lista de desembolso. O Brasil tinha bons colégios públicos, e a escola não fazia parte do orçamento familiar. Isso mudou, e muito. O presente e o futuro de Luís Eduardo, o Dudu, de 10 meses, o garoto da foto ao lado, ajudam a entender a equação.

Seus pais deixarão cerca de R$ 264 mil nos caixas das instituições de ensino do maternal até a pós-graduação do pimpolho. Caro? Muito. Então, para conseguir cumprir essa missão, é fundamental elaborar um eficiente planejamento financeiro. Trata- se, portanto, de diluir essa despesa ao longo do crescimento dos filhos. É a melhor maneira de garantir todos os diplomas da prole, sem levar sustos. O segredo básico: começar a poupar o quanto antes, ainda na infância. E tem mais – é preciso disciplina. “Em outros tempos, os pais começavam a pensar nos estudos apenas com os filhos já adolescentes”, diz Jorge Nasser, diretor do Bradesco Previdência. “Hoje, as crianças já saem do berçário com o investimento desenhado.”

O casal João Francisco Viseu de Barros e Giselle Sabatini de Barros, os pais de Dudu, seguiram à risca essa lição. Fizeram um plano de previdência, o Prever do Unibanco, para começar a poupar para os estudos do filho. Iniciaram as aplicações quando a criança tinha apenas quatro meses de vida. Depositam R$ 60 todos os meses. Misturam renda fixa e seguro de vida. Em datas comemorativas, como o Dia das Crianças e o aniversário, a poupança do filho é turbinada. Os depósitos mensais chegam a triplicar. “Quero dar ao Dudu, a possibilidade de estudar em boas escolas, faculdade e ainda cursar uma MBA”, diz Viseu. Com essa estratégia financeira, Viseu pretende acumular, no mínimo, R$ 40 mil até o filho completar 18 anos. Assim, terá uma boa parte dos recursos necessários para a graduação.

Há, entre os pais, uma predileção: os planos de previdência privada. A engenheira Mara Regina Ignácio, mãe de três adolescentes, já utiliza os benefícios fiscais desse tipo de produto financeiro. Por meio da corretora Estar Seguro, Mara paga R$ 127 por mês para cada uma das filhas. A meta é bancar os estudos, mas a aplicação, no futuro, também pode ser destinada a aposentadoria das mocinhas. Caso não precise fazer saques, o patrimônio vira um seguro de previdência. Assim como o plano escolhido por Mara, existem diversos produtos desse modelo no mercado. A maioria se difere apenas entre os formatos classificados como PGBL (Plano Gerador de Benefícios Livre) e VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livre). No primeiro, você pode abater até 12% da renda bruta anual do imposto renda. O VGBL não tem a dedução fiscal.

Os planos de previdência são campeões de preferência porque, além dos incentivos tributários, têm valor mínimo de aplicação reduzido. Em média, com R$ 50 mensais é possível adquirir o produto. No Banco Itáu, por exemplo, 50% dos fundos estão em nome de crianças. São cerca de 70 mil jovens. Entre os clientes, Túlio Canonico, de 41 anos, utiliza o First Flexprev para assegurar a educação de sua filha Juliana, de dois anos. Ele aplica R$ 200 mensais. “É uma questão de precaução”, diz Canonico. “Afinal, quando ela estiver entrando na faculdade, eu já vou estar me aposentando.” Existem várias outras formas de planejar a educação. Hoje, os bancos e corretoras oferecem ainda fundos, clube de ações, títulos públicos e seguros que têm como objetivo final fazer caixa para bancar a faculdade. “Todos as poupanças são muito saudáveis. É só saber escolher o que se encaixa mais com seu perfil”, diz a consultora Cássia D\’Aquino. O principal requisito é ser fiel ao investimento. “Não vale sacar ou deixar de aplicar o dinheiro na primeira dificuldade financeira”, completa.

Ousadia. Para aqueles que não temem o risco do mercado acionário, é possível investir em ações. Há cinco anos, a corretora Coinvalores lançou o fundo Kids. A aplicação mínima é de R$ 500 e as movimentações são a partir de R$ 100. A taxa de administração é de 0,5% ao ano. O produto é exclusivo para menores de 18 anos. Quando os filhos atingem a maior idade podem sacar a grana. “É uma forma de diversificar as economias”, afirma Paulino Botelho, diretor da Coinvalores. Para aqueles que querem montar a própria carteira, os analistas sugerem papéis de companhias pagadoras de dividendos como a Souza Cruz e Vale do Rio Doce. Entre as alternativas para a realizar a poupança acadêmica, o consultor de finanças pessoais Mauro Halfeld sugere ainda a compra direta de títulos da dívida do Tesouro Nacional. A aquisição pode ser feita pela internet. A aplicação oferece ganhos de aproximadamente 10% ao ano. No entanto, saiba que até mesmo a tradicional caderneta de poupança, o porto seguro das finanças, pode ser uma boa aliada para juntar o dinheiro educacional. Logo depois do nascimento, Beatriz Ribeiro Santos ganhou de presente um extrato dessa aplicação. Seus pais, Mário Ivan Santos e Lucélia Helena Ribeiro, têm motivos de sobra para se preocuparem com a filha. Beatriz, de cinco anos, é portadora de uma doença auditiva,

o que pode futuramente requerer um colégio especial, logo, mais caro. Ivan começou reservando R$ 300 mês a mês. Quando, acumulou cerca de R$ 4 mil transferiu o dinheiro para um fundo de investimento em renda fixa do BankBoston. O objetivo é melhorar a rentabilidade. Atualmente, o ganho gira em torno de 1,8% ao mês, contra cerca de 0,7% da poupança. Com essa fórmula de investimentos diversificados, durante aproximadamente quatro anos, ele conseguiu poupar R$ 21 mil. O recurso já seria suficiente para pagar, por exemplo um ano do curso de graduação desejado pela Beatriz, Medicina Veterinária. Mas ele não parou, continua intercalando as aplicações. Começa na poupança, acumula R$ 4 mil de patrimônio e passa tudo para o fundo. “É fundamental para um pai que deseja o melhor para sua filha, protegê-la e garantir seu futuro acima de tudo”, conclui Ivan.

Truques básicos:

* Comece a aplicar o quanto antes, o retorno é de longo prazo
* Tenha disciplina e não deixe de manter os investimentos mensais
* Não saque o dinheiro na primeira dificuldade financeira
* Não se iluda. Escolha o produto mais adequado ao orçamento familiar

Autor: Carol Carloni

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